Sonho Visionário

Escrito e apresentado por: Francisco Joaquim P. Chuquela

Eu tenho um sonho, um sonho em que a diferença entre pessoas estará simplesmente nos nomes, não nos padrões de vida. Os filhos dos governantes e dos governados vão frequentar o mesmo sistema de educação. Os hospitais terão as mesmas clínicas para ministros e camponeses.

Eu tenho um sonho, um sonho em que a equidade vai substituir o favoritismo na oferta de oportunidades. A verdade vai substituir a camaradagem na justiça. A transparência vai substituir a manipulação na exploração dos recursos do país. No meu sonho, o património colectivo vai servir a colectividade, não grupos restritíssimos.

Eu tenho um sonho, um sonho em que a história do país não será elaborada, mas buscada pela investigação e pesquisa. Os inimigos do povo não serão confundidos com heróis. Os assassinos e ladrões não serão homenageados e celebrados como deuses de carne e osso. Ainda no meu sonho, os verdadeiros heróis não vão partilhar o lixo com os cães nas ruas, pois o seu heroísmo vai-lhes levar aos mais altos púlpitos para prestarem exemplo às gerações vindouras.

Eu tenho um sonho, um sonho em que os mega-salários e os mega-bónus serão convertidos em fundos para crianças desamparadas, para deficientes e para idosos desfavorecidos. No meu sonho, os salários-fortuna e os bónus-fortuna serão transformados em reservas para a gestão de calamidades.

Eu tenho um sonho, um sonho em que os fortes exércitos, os carros blindados e os armamentos que foram mobilizados nos dias 1 e 2 de Setembro para massacrar o povo, este que expressava a sua opinião nas praças da pátria amada, serão mobilizados para perseguir os que tolhem a tranquilidade e ordem públicas.

Eu tenho um sonho, um sonho em que o povo vai tirar proveito da independência total e completa, independência que fora proclamada por um herói cuja fidelidade ao povo será tida como exemplo pelos heróis do meu sonho. No meu sonho, cada operação dos “donos do poder” será esclarecida. Já o estado da nação será analisado, não imaginado.

Eu tenho um sonho, um sonho em que pagar imposto não significará contribuir para a compra do centésimo Mercedes de alguém, mas irá significar ajuda aos bairros como Incídua, onde um peixe é motivo de festa na aldeia, e de sapato só se fala para as crianças saberem que existe um objecto com tal nome.

Eu tenho um sonho, um sonho em que a humanização e a civilização das mentes vão triunfar sobre o cabritismo. No meu sonho, a corrupção vai deixar de tolher o desenvolvimento do país. Os almoços-festa dos celebradores da vida paradisíaca serão cambiados em refeições condignas para os que agradeceriam por um pedaço de pão seco.

Eu tenho um sonho em que a expressão da masculinidade estará nas virtudes, não na poligamia. No meu sonho, serão conservados os valores consagrados pela humanidade. Haverá igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas não o empoderamento da mulher sobre o homem, nem do homem sobre a mulher.

No meu sonho, sobretudo, a vida no meu país não será simplesmente de se viver, mas será de se celebrar.

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