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Actuação e/ou incidência acadêmica no referente à Ciência, Filosofia, Crenças e Tecnologias

“Mais do que erguer mil estátuas homenagear Samora é perpetuar seus ideais”

O que fez de Samora um líder carismático e influente?

Texto integral de palestra do dia 22 de Outubro de 2013 no Centro Cultural Americano, por Francisco J. P. Chuquela:

foto-19Antes de irmos ao que preparamos integralmente, uma vez que estamos ainda no mês da paz, esta que é claramente perturbada pelas nossas principais formações políticas, vamos recordar o que Samora, o pai da nação moçambicana, disse em entrevista concedida a Joaquim Letria em 1975 nas áreas libertadas de Cabo Delgado. Passo a citar Samora: “Não corrigimos ideias erradas com o cano de uma arma”.

Vamos a questão de cartaz. O que fez de Samra um líder carismático e influente?

Samora foi o líder que foi porque andava junto do povo, por isso ao empossar novos membros do governo a 3 de Junho de 1983 na praça da independência disse “O povo quer seu dirigente junto dele” e ao empossar novos servidores do povo em 1975 disse: “Desligados das massas populares seremos árvores sem raízes”.

foto-20Além do mais, os sonhos de Samora eram constituídos por coisas concretas que o povo defende, como prova disso é importante citá-lo a dizer em entrevista com a imprensa internacional que “O povo não defende coisas abstratas, defende coisas concretas, a terra é uma coisa concreta, a habitação é uma coisa concreta, a escola é uma coisa concreta, o hospital é uma coisa concreta”.

Samora Machel conseguia animar o povo em momentos difíceis e mantinha viva a esperança mesmo diante dos destroços de guerra, prova disso são expressões energéticas como a que exprimiu em Tunduro em 1975. Passo a citar: “No lugar onde caiu uma bomba deve nascer escola ou fábrica”.

Samora não se limitava em criar esperança no povo, mas procurava corresponder a esta mesma esperança, por isso na carta que enviou ao chefe político-militar de Manica e Sofala em 1974 escreveu: “Saibamos corresponder à esperança que o povo deposita em nós”.

Samora Machel estava ciente de que o silêncio das armas não completava a paz e sabia que a defesa dos interesses do povo e a afirmação dos seus direitos são elementos essenciais, por isso disse na Assembleia Geral das Nações Unidas de 1977 que: “Na afirmação dos direitos dos povos encontra-se o caminho da paz”.

O fundador da nossa república sabia que o triunfo na luta armada não era o fim da luta e apregoava a continuação da luta contra novos inimigos do povo, desta vez não humanos, por isso dizia: “A luta continua contra o tribalismo, contra a ignorância, contra o analfabetismo, contra a exploração do homem pelo homem, contra a superstição, contra a miséria, contra a fome, contra o pé descalço… A luta continua para que sejamos todos homens iguais”.

Respondendo a segunda faceta da questão de fundo, de Samora ter sido um líder não só carismático mas também influente, é de se concluir que a voz de Samora ultrapassava fronteiras nacionais, agitava o continente africano e o mundo. Isso porque este pai da nação moçambicana não lutava só pelos moçambicanos, mas sim por todos povos oprimidos no mundo, razão pela qual, em resposta ao discurso de Julius Nyerere, em 1975, comprometeu-se em Dar-es-Salaam dizendo: “Apoiar toda a luta justa dos povos oprimidos”. Ainda em defesa dos povos oprimidos no mundo disse em 1975 em Lichinga que: “Não há continentes para certas raças; os continentes estão para os homens”.

Sabendo que o povo é o dono do poder, Samora Machel definiu a forma mais viável de estabelecer o poder popular, a educação, por isso disse: “Fazer da escola uma base para o povo tomar poder”. Sabia Samora que o país devia apostar na educação, pelo que disse: “Não pode haver país forte com o analfabetismo”. Além de que olhava para educação como instrumento de renovação do homem, o que lhe fez dizer que: “A escola é a vossa entrada para o mundo novo” e que “De vocês e da educação surgirá o homem novo”.

Para elucidar a preocupação de Samora Machel com o povo e para terminar, passo a ler 20 das muitas frases deste fundador da nossa república que tenham a palavra povo. Atenção:

a) educação

– Estudemos e façamos dos nossos conhecimentos um instrumento de libertação do povo: Samora Machel em 1977*

– Fazer da escola uma base para o povo tomar poder: Samora Machel em 1974 *

b) saúde

– No trabalho sanitário materializemos o princípio que a revolução liberta o povo: Samora Machel em 1973*

– Transformar o Hospital Central num hospital do povo: Samora Machel em 1976 *

c) segurança

– O inimigo é o que quer viver à custa do sangue do povo: Samora Machel em 1977*

– Povo vê nas Forças Populares o seu próprio braço armado: Samora Machel em 1975*

– O povo decidirá sobre destino dos bandidos: Samora Machel em 1983*

d) democracia

– Aprendamos a servir o povo: Samra Machel na abertura do curso político em 1974*

– Queremos fazer do povo dirigente real: Samora Machel em 1975*

– A solução para cada problema deve ser encontrada no meio do povo: Samora Machel em 1977*

– Saudamos a grandeza da humildade de quem aprendeu com o povo: Samora

– É o povo quem define a soberania e a independência de um estado: Samora

– A terra pertence ao povo: Samora Machel em 1975*

e) mulher

– A mulher é o ponto mais alto da destinação de um povo: Samora Machel em 1979*

f) desenvolvimento

– O nosso país será o que for a determinação do nosso povo: Samora Machel em 1978*

– Organizemos os nossos recursos para resolver os problemas do povo: Samora Machel em 1979*

– O povo não defende coisas abstratas, defende coisas concretas, a terra é uma coisa concreta, a habitação é uma coisa concreta, a escola é uma coisa concreta, o hospital é uma coisa concreta: Samora Machel*

g) unidade

– Contra a determinação de um povo não há arma que se imponha: Samora Machel em 1976*

h) liberdade

– Na afirmação dos direitos dos povos encontra-se o caminho da paz: Samora Machel*

i) heroísmo

– Herói é quem dedica a vida ao serviço do povo: Samora Machel em 1986*

– O tamanho de um povo mede-se pela sua determinação: Samora Machel em 1976*

– Saibamos corresponder à esperança que o povo deposita em nós: Samora Machel 1973*

– Nós recuperamos a terra… que esteve mantida durante 500 anos nas mãos de minoria… devolvemos a terra ao povo: Samora Machel

foto-126Lembre-se: esta palestra vem depois de uma acirrada campanha de divulgação de ideais de Samora Machel nas redes sociais, iniciada a 29 de Setembro de 2013 quando recordávamos o nascimento deste herói e terminada a 19 de Outubro, data em que nos lembramos do seu assassinato. Foram postadas no Twitter, Facebook e Google+ nas contas do Complexo Académico e do seu fundador, Francisco Chuquela, cerca de 100 frases do pensamento samoriano que evidenciam que Samora preocupava-se com o povo. Para ver as referidas frases visite a conta Twitter @Complacad ou @chuquela.

foto-127Nota: A palestra foi seguida por um debate com o tema “Mais do que erguer mil estátuas homenagear Samora é perpetuar seus ideais“, em que o Francisco Chuquela começou em forma de provocação dizendo que “… onde a corrupção é moda estátua de Samora deixa de ser homenagem para ser ofensa… é que onde se contraria ideais da pessoa em estátua essa estátua é uma ofensa…”

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Moçambicanos, povo de história elaborada, não investigada

Por: Francisco J. P. Chuquela

Moçambique tem por governo um partido que carrega a honraria (pálida de tempos em tempos) de ter libertado o país do jugo colonial. E tem por maior oposição um partido que carrega a desonra de ter retrocedido o país com 16 anos de guerra. Aclarando: o partido no poder foi um movimento de luta contra o colonialismo e o de oposição foi um movimento rebelde. Aprofundando: o movimento libertador teve, depois de expulsar o colono, que enfrentar o movimento rebelde.

Hoje, ambos movimentos estão fora das matas e têm as armas arrumadas (embora levantadas de quando em vez) em nome da paz e se tornaram partidos que, de quatro em quatro anos, disputam o poder no país.

O problema que se coloca é que esses movimentos/partidos fazedores dos últimos episódios da nossa história não contam com clareza e unanimidade os acontecimentos e suas causas. Uma história limpa seria contada em conjunto e entendimento pelos seus fazedores. E, no fim, todos assinariam em baixo.

A história deste país parece ser elaborada, não investigada. Isso por não ser contada de forma combinada e concordante. Esta situação leva a concluir que o povo moçambicano não tem história. Numa história elaborada, o heroísmo não é resultado de obras, mas de escolha. Aí, até ladrões e assassinos do povo podem ser levados a estatuto de heróis. Isso enquanto os verdadeiros heróis partilham lixo com cães nas ruas.

Chega a ser vergonhoso porque, socialmente, um grupo atinge os estatutos de comunidade e/ou sociedade quando tem geograficidade, historicidade e interesses comuns. Dos três requisitos, Moçambique só tem geograficidade e a localização geográfica é simplesmente oferta da mãe natureza. Vejamos que nem interesses comuns Moçambique tem, senão não viveríamos sob constantes ameaças de guerra como indica a nossa realidade.

Prova da falsidade da “dita” história de Moçambique é o facto de haver perguntas sem respostas. As ditas perguntas quentes: Quem matou o arquitecto da unidade nacional, Eduardo Mondlane? Quem matou o presidente Samora? Quem matou o jornalista investigativo Carlos Cardoso?

No país temos sacos de livros inúteis sobre a nossa história. Respondam a estas três perguntas pelo menos, só assim estarão a contar a nossa história. Estamos cansados de bibliotecas profundamente vazias em termos de história nacional.

Muito papel inútil é lixo, e nada mais.

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País (pode) regressa(r) do abismo

Por: Francisco J. P. Chuquela

A Ciência, a Tecnologia e a Educação, mas principalmente esta última, são os sectores chaves na concretização dos objectivos de um país em vias de desenvolvimento. Um país que precisa de quadros com visão minimamente suficiente, não só para identificar oportunidades, mas também para explorá-las inteligentemente.

Na tarefa de formar quadros verdadeiramente competentes, este país estava de férias. Há aproximadamente uma década, o sector de Educação não se importa com o desempenho dos alunos para lhes graduar de um nível académico para o outro. Em suma: este sector importa-se com os resultados numéricos e não com a qualidade, empurrando, desta feita, o país para um abismo que seria possível evitar.

Neste país está-se numa situação em que basta mais meia década com o mesmo comportamento para se ver doutores e peritos analfabetos na tomada de decisões e na condução de uma nação que, com dirigentes competentes, é/seria merecedora e promissora de progressos inimagináveis.

Agora, os responsáveis por esta área bastante sensível da vida de um país devem ter colocado a mão na consciência e resolvido buscar formas de corrigir o erro enquanto corrigível, pois é curto o tempo que resta para que o erro seja incorrigível.

Pois sim que a conclusão mais imediata a que se chega em relação a decisão do Ministério de Educação, de parar as passagens automáticas é de que os dirigentes deste país só se apercebem do erro aproximadamente dez anos depois de comete-lo.

Mas vejamos que a abolição de passagens automáticas é, ainda, apenas uma decisão. Quem nos garante que isso irá à prática? Quantas decisões foram tomadas e não foram colocadas em prática neste país? O caso da cesta básica de que o governo engravidou e abortou muito prematuramente é uma recordação exemplar de nos emprestar a insegurança no concernente a eliminação das assassinas passagens automáticas.

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Estudantes (não) sabem escrever no computador?

Por: Francisco J. P. Chuquela

“Ganhar a ciência para sermos capazes de mobilizar a natureza a favor do Homem” é apenas um tostão do que fora ditto pelo presidente Samora no âmbito de incentivar a concepção da ciência e tecnologia no país como forma de acelerar a construção do Moçambique pôs-independência.

Hoje a ciência e tecnologia ganha imensurável espaço no país, dando fôlego à globalização que se move a velocidade turbinada. Mas parece haver gente que fecha os olhos a esta tão presente manifestação científica que percorre o país.

Parte considerável de estudantes da maior instituição do ensino superior no país não sabe escrever no computador, facto que leva a corridas imparáveis quando há trabalhos de pesquisas cujos resultados devem ser dactilografados e entregues aos professores.

Nas casas de “internet café” há um valor estipulado que se paga para ocupar um computador durante um determinado tempo calculado em minutos. Além desse valor, a maioria de estudantes paga a mão de obra, isto é, a pessoa que vai manejar o computador em seu lugar. Ridículo, acho.

Os estudantes almejam concluir os seus cursos e conseguir afectação nas áreas de sua formação. Pergunto: qual é a área de trabalho que dispensa o uso do computador?

Falta de vontade de aprender
Para os estudantes que acabam de ingressar neste nível de ensino pode se esperar que se esforcem a assimilar o manejo dessas máquinas. Mas o que é que se diz daqueles que estão na recta final dos seus cursos ainda a olharem para os computadores com estranheza e ignorância?

Para quem se preocupa em aprender, não acho que um mês seja pouco para se aprender pelo menos digitar um documento no computador. Agora, o que se deve dizer de um estudante que leva quatro anos a depender dos outros para passar as suas ideias do manuscrito para dactilografado?

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