Moçambicanos, povo de história elaborada, não investigada

Por: Francisco J. P. Chuquela

Moçambique tem por governo um partido que carrega a honraria (pálida de tempos em tempos) de ter libertado o país do jugo colonial. E tem por maior oposição um partido que carrega a desonra de ter retrocedido o país com 16 anos de guerra. Aclarando: o partido no poder foi um movimento de luta contra o colonialismo e o de oposição foi um movimento rebelde. Aprofundando: o movimento libertador teve, depois de expulsar o colono, que enfrentar o movimento rebelde.

Hoje, ambos movimentos estão fora das matas e têm as armas arrumadas (embora levantadas de quando em vez) em nome da paz e se tornaram partidos que, de quatro em quatro anos, disputam o poder no país.

O problema que se coloca é que esses movimentos/partidos fazedores dos últimos episódios da nossa história não contam com clareza e unanimidade os acontecimentos e suas causas. Uma história limpa seria contada em conjunto e entendimento pelos seus fazedores. E, no fim, todos assinariam em baixo.

A história deste país parece ser elaborada, não investigada. Isso por não ser contada de forma combinada e concordante. Esta situação leva a concluir que o povo moçambicano não tem história. Numa história elaborada, o heroísmo não é resultado de obras, mas de escolha. Aí, até ladrões e assassinos do povo podem ser levados a estatuto de heróis. Isso enquanto os verdadeiros heróis partilham lixo com cães nas ruas.

Chega a ser vergonhoso porque, socialmente, um grupo atinge os estatutos de comunidade e/ou sociedade quando tem geograficidade, historicidade e interesses comuns. Dos três requisitos, Moçambique só tem geograficidade e a localização geográfica é simplesmente oferta da mãe natureza. Vejamos que nem interesses comuns Moçambique tem, senão não viveríamos sob constantes ameaças de guerra como indica a nossa realidade.

Prova da falsidade da “dita” história de Moçambique é o facto de haver perguntas sem respostas. As ditas perguntas quentes: Quem matou o arquitecto da unidade nacional, Eduardo Mondlane? Quem matou o presidente Samora? Quem matou o jornalista investigativo Carlos Cardoso?

No país temos sacos de livros inúteis sobre a nossa história. Respondam a estas três perguntas pelo menos, só assim estarão a contar a nossa história. Estamos cansados de bibliotecas profundamente vazias em termos de história nacional.

Muito papel inútil é lixo, e nada mais.

Anúncios

Deixe um comentário

Filed under Academia

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s