Monthly Archives: Abril 2013

Servir o povo é dever, não favor, do governo

Por: Francisco J. P. Chuquela

A maioria dos 22 milhões de moçambicanos, enfraquecida pela fraca educação e falta de informação, pensa que os serviços públicos são fruto de “bom coração dos governantes”. Essa errada percepção de que o governo está a prestar favores ao povo através de hospitais, escolas… faz com que esta maioria dos moçambicanos não exija esses serviços quando não são dados ou quando são dados com péssima qualidade.

O governo esconde ao povo que os serviços públicos constituem direito do cidadão. Isso sim, pois se não escondesse haveria sensibilização acerca. Recursos de informação e sensibilização não faltam. Sublinhe-se. É que o partido no poder consegue atingir e comunicar-se com o povo, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico quando se trata de campanha de eleições, mas já não consegue fazer o mesmo pela divulgação de direitos do cidadão.

A Educação, que o saudoso presidente Samora quis que fosse instrumento para o povo tomar poder é, hoje, instrumento do governo para o povo perder poder. Afinal, o que somos de dizer sobre um sistema educacional em que se chega à décima segunda classe sem perspectivas do futuro? E mais, sem habilidades para escrever o mais curto parágrafo possível livre de gravíssimos erros ortográficos?

Os direitos dos moçambicanos são drenados, pelo governo, para estrangeiros. Prova disso é a concessão de hectares e hectares de terra a investidores estrangeiros e quase nenhum centímetro a nacionais.

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Governo moçambicano contra vida dos camponeses

Por: Francisco J. p. Chuquela

A terra, que foi sempre fonte de sobre(vivência) dos moçambicanos, vê-se em clara transição para ser unicamente fonte de largas centenas de milhões de dólares para estrangeiros. Não é preciso duas frases para justificar esta posição, pois a maioria das terras férteis dos camponeses é usurpada a favor de megaprojectos de investimentos estrangeiros.

Ora, nesta senda dos factos, os camponeses perdem a sua única fonte de sobrevivência e rendimento, a terra, em troca de promessas nunca cumpridas. Quem dá a chave deste cofre natural dos moçambicanos, a terra, a estranhos é quem devia defendé-los através da lei, o governo. Afinal, de onde vem a concessão de terras a estrangeiros?

No entanto, com este tipo de comportamento governamental, temos mais do que suficientes razões para olharmos mal, até certo ponto, ao recentemente lançado Plano Nacional de Investimento do Sector Agrário (PNISA). Ora, neste PNISA, quem vai investir? Se for o estrangeiro o que vai querer em troca? E qual será a vantagem dos 22 milhões de moçambicanos cujos impostos são suficientes para investir no dito PNISA sem se recorrer ao bolso do estrangeiro?

Indo a casos concretos, o que ganharam em troca os camponeses que foram evacuados dos seus lugares de produção agrícola para implantação da Vale? Só promessas. Ora, aquele tipo de reassentamento é comparado com transferência de ovelhas de um lugar verdejante para um lugar desértico. E os que foram evacuados a favor da Wambao Agrilcuture, o que ganharam em troca? Só poeira de negação aos mais fundamentais direitos comunitários.

O governo moçambicano (partido Frelimo) passa a vida a pregar o combate à pobreza, mas, meia-volta, prejudica visivelmente a melhoria da renda familiar. Quanta hipocrisia!

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Moçambicanos, povo de história elaborada, não investigada

Por: Francisco J. P. Chuquela

Moçambique tem por governo um partido que carrega a honraria (pálida de tempos em tempos) de ter libertado o país do jugo colonial. E tem por maior oposição um partido que carrega a desonra de ter retrocedido o país com 16 anos de guerra. Aclarando: o partido no poder foi um movimento de luta contra o colonialismo e o de oposição foi um movimento rebelde. Aprofundando: o movimento libertador teve, depois de expulsar o colono, que enfrentar o movimento rebelde.

Hoje, ambos movimentos estão fora das matas e têm as armas arrumadas (embora levantadas de quando em vez) em nome da paz e se tornaram partidos que, de quatro em quatro anos, disputam o poder no país.

O problema que se coloca é que esses movimentos/partidos fazedores dos últimos episódios da nossa história não contam com clareza e unanimidade os acontecimentos e suas causas. Uma história limpa seria contada em conjunto e entendimento pelos seus fazedores. E, no fim, todos assinariam em baixo.

A história deste país parece ser elaborada, não investigada. Isso por não ser contada de forma combinada e concordante. Esta situação leva a concluir que o povo moçambicano não tem história. Numa história elaborada, o heroísmo não é resultado de obras, mas de escolha. Aí, até ladrões e assassinos do povo podem ser levados a estatuto de heróis. Isso enquanto os verdadeiros heróis partilham lixo com cães nas ruas.

Chega a ser vergonhoso porque, socialmente, um grupo atinge os estatutos de comunidade e/ou sociedade quando tem geograficidade, historicidade e interesses comuns. Dos três requisitos, Moçambique só tem geograficidade e a localização geográfica é simplesmente oferta da mãe natureza. Vejamos que nem interesses comuns Moçambique tem, senão não viveríamos sob constantes ameaças de guerra como indica a nossa realidade.

Prova da falsidade da “dita” história de Moçambique é o facto de haver perguntas sem respostas. As ditas perguntas quentes: Quem matou o arquitecto da unidade nacional, Eduardo Mondlane? Quem matou o presidente Samora? Quem matou o jornalista investigativo Carlos Cardoso?

No país temos sacos de livros inúteis sobre a nossa história. Respondam a estas três perguntas pelo menos, só assim estarão a contar a nossa história. Estamos cansados de bibliotecas profundamente vazias em termos de história nacional.

Muito papel inútil é lixo, e nada mais.

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