Monthly Archives: Fevereiro 2013

Camaradas traem camaradas e perde-se a camaradagem

Por: Francisco Joaquim P. Chuquela

O Estado moçambicano é chefiado por um veterano da luta armada de libertação do país do jugo colonialista e, o seu governo é maioritariamente, se não completamente, constituído por militantes da mesma luta e da guerra dos dezasseis anos.

Durante os anos de guerra, eram milhares e milhares de militantes a jurarem entregar a vida em troca de um país livre da brutalidade, mas no fim da luta, foram arquitectados dois grupos: o dos heróis ou veteranos de luta, donos de privilégios e detentores do poder e, o dos desmobilizados de guerra ou antigos combatentes.

É que, depois dos conflitos armados, quando foram recolhidos e arrumados os instrumentos de guerra, foi também arrumado, à maneira de descartar, um número sem fim de militantes, alguns com deficiências física e psicológica, lavradas no combate pela pátria.

Na luta, com as armas a descarregarem o peso nos rostos de todos, chamavam-se de camaradas e eram unidos, segundo reza a história, pois lutavam pela mesma causa e defendiam os mesmos interesses, mas hoje há, por exemplo, um Alberto Chipande no topo e um Jossias Matsena ou Hermínio dos Santos nas cinzas.

Os desmobilizados de guerra, que antes eram perseguidores dos inimigos do país, hoje são espezinhados e perseguidos pelos antigos camaradas. Exemplo disso é a marginalização, pelas elites governamentais, e a violência, pelas autoridades policiais, aos desmobilizados de guerra, na vez de reivindicarem aquilo que julgam serem os seus direitos.

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País (pode) regressa(r) do abismo

Por: Francisco J. P. Chuquela

A Ciência, a Tecnologia e a Educação, mas principalmente esta última, são os sectores chaves na concretização dos objectivos de um país em vias de desenvolvimento. Um país que precisa de quadros com visão minimamente suficiente, não só para identificar oportunidades, mas também para explorá-las inteligentemente.

Na tarefa de formar quadros verdadeiramente competentes, este país estava de férias. Há aproximadamente uma década, o sector de Educação não se importa com o desempenho dos alunos para lhes graduar de um nível académico para o outro. Em suma: este sector importa-se com os resultados numéricos e não com a qualidade, empurrando, desta feita, o país para um abismo que seria possível evitar.

Neste país está-se numa situação em que basta mais meia década com o mesmo comportamento para se ver doutores e peritos analfabetos na tomada de decisões e na condução de uma nação que, com dirigentes competentes, é/seria merecedora e promissora de progressos inimagináveis.

Agora, os responsáveis por esta área bastante sensível da vida de um país devem ter colocado a mão na consciência e resolvido buscar formas de corrigir o erro enquanto corrigível, pois é curto o tempo que resta para que o erro seja incorrigível.

Pois sim que a conclusão mais imediata a que se chega em relação a decisão do Ministério de Educação, de parar as passagens automáticas é de que os dirigentes deste país só se apercebem do erro aproximadamente dez anos depois de comete-lo.

Mas vejamos que a abolição de passagens automáticas é, ainda, apenas uma decisão. Quem nos garante que isso irá à prática? Quantas decisões foram tomadas e não foram colocadas em prática neste país? O caso da cesta básica de que o governo engravidou e abortou muito prematuramente é uma recordação exemplar de nos emprestar a insegurança no concernente a eliminação das assassinas passagens automáticas.

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Estudantes (não) sabem escrever no computador?

Por: Francisco J. P. Chuquela

“Ganhar a ciência para sermos capazes de mobilizar a natureza a favor do Homem” é apenas um tostão do que fora ditto pelo presidente Samora no âmbito de incentivar a concepção da ciência e tecnologia no país como forma de acelerar a construção do Moçambique pôs-independência.

Hoje a ciência e tecnologia ganha imensurável espaço no país, dando fôlego à globalização que se move a velocidade turbinada. Mas parece haver gente que fecha os olhos a esta tão presente manifestação científica que percorre o país.

Parte considerável de estudantes da maior instituição do ensino superior no país não sabe escrever no computador, facto que leva a corridas imparáveis quando há trabalhos de pesquisas cujos resultados devem ser dactilografados e entregues aos professores.

Nas casas de “internet café” há um valor estipulado que se paga para ocupar um computador durante um determinado tempo calculado em minutos. Além desse valor, a maioria de estudantes paga a mão de obra, isto é, a pessoa que vai manejar o computador em seu lugar. Ridículo, acho.

Os estudantes almejam concluir os seus cursos e conseguir afectação nas áreas de sua formação. Pergunto: qual é a área de trabalho que dispensa o uso do computador?

Falta de vontade de aprender
Para os estudantes que acabam de ingressar neste nível de ensino pode se esperar que se esforcem a assimilar o manejo dessas máquinas. Mas o que é que se diz daqueles que estão na recta final dos seus cursos ainda a olharem para os computadores com estranheza e ignorância?

Para quem se preocupa em aprender, não acho que um mês seja pouco para se aprender pelo menos digitar um documento no computador. Agora, o que se deve dizer de um estudante que leva quatro anos a depender dos outros para passar as suas ideias do manuscrito para dactilografado?

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As fintas de que os moçambicanos não se apercebem

Por: Francisco Joaquim Pedro Chuquela

Muito lamentavelmente, as elites moçambicanas ganham cada vez mais confiança do povo que dirigem à custa de manipulações. É que os dirigentes deste país criam no povo, através das suas estudadas retóricas, a impressão de que está tudo a melhorar quando, na verdade, está tudo a piorar.

Com certeza, ainda se tem em memória imagens e palavras inteligentes de Moçambique iluminado do Rovuma ao Maputo. A verdade é que tais imagens e palavras foram fruto da imaginação de quem quer mostrar o que se quer e não o que se tem, a fim de angariar confiança e credibilidade para continuar a retroceder o povo em nome do progresso deste.

Moçambique está iluminado sim, mas à luz de velas e xiphefu (candeeiro à base de garrafa e corda absorvente de petróleo). Quer acreditar? Tenha antes em conta que Moçambique não é uma pequena congregação de gente fechada e afaste-se um pouco da cidade ou da vila em que possivelmente se encontra. Veja por si mesmo a dimensão da mentira das imagens que mostram o um Moçambique iluminado. Coloque um grande X no slogan “Moçambique está iluminado” se o tiver recebido em cartaz para pendurar no seu quarto, na sala ou no escritório em nome do patriotismo.

Essas exibições podem ter dado sucessos políticos e meios de justificação de fundos a gente enganadora do povo. Quero eu arriscar e afirmar que este país está longe de ser iluminado, pois deve estar apenas 15% iluminado. E porque não menos?

No lugar desses “fintosos” slogans diga-se que pequenas porções do território estão iluminadas, mas também momentaneamente iluminadas porque tem-se uma electricidade que sabe mais exibir piscas. Afinal, quem, mesmo com a dita “nossa” Cahora Bassa, já sentiu saudades de um apagão repentino e de desrespeito? As nossas luzes não são mais que pirilampos ou meros sinais de faróis verdes e preguiçosos.

Compatriota, não espere ser dito como Moçambique é. Veja por si mesmo e escape de manipulações.

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