O silêncio assassino do povo

Escrito por: Francisco Joaquim P. Chuquela

O poeta-mor, Craveirinha, chorou o nosso sono, chamando-o de “Passividade Animal” no poema intitulado “Subida”, em cujos primeiros versos diz “Preço de açúcar e farinha subiu. / Ai a passividade animal! / Na Machava começou fome de amendoim / preço de amendoim na cantina subiu / Gente de Chamanculo tem sede / subiu preço de gogogo de água. / Ai a passividade animal!”, é só a primeira estrofe.

Hoje, décadas e décadas de anos depois da publicação daquele escrito poético e de várias outras prestações artísticas de intervenção social, como dezenas de títulos musicais de Jeremias Nguenha e de Azagaia entre outros,  indiscutivelmente suficientes para abrir a visão de milhares, o povo continua a dormir.

O que justifica o tão silencioso silêncio mediante arranhões dos que prejudicam em nome de ajudar? Para erguerem as cabeças, os moçambicanos não sofrem o suficiente ou não racionalizam o suficiente?

O povo é vítima daqueles que confia

Há uma intolerável confusão, pelo que parece. O povo confunde o “ser governado” com o “ser explorado”. É que o povo escolhe os dirigentes e perde totalmente, para eles, o poder. Esses, entre o silêncio ou olhos fechados do povo, exploram, no lugar de dirigir. O povo é, indubitavelmente, vítima daqueles que confia. Aproximadamente meio século depois da proclamação da independência total e completa, o povo ainda não está preparado para ser independente, numa autêntica afirmação de que a independência foi pré-proclamada. Resultado: os que se aperceberam tiram proveito disso.

Necessidade de despertar

Os moçambicanos precisam de se levantar e cobrar o país de que são donos. Sim, precisam de se autocurar da doentia passividade e do demoníaco conformismo e exigirem o país que ainda não lhes foi devolvido. É que este país foi (semi)arrancado das mãos dos tiranos, mas ainda não foi entregue ao povo, ainda não pertence ao povo. Ora, os moçambicanos devem honrar a dignidade de serem moçambicanos por procurarem usufruir aquilo de que são merecedores por serem moçambicanos. Devem, sobretudo, ser moçambicanos de honra, não de vergonha.

Quando (é que) Moçambique vai pertencer ao povo moçambicano(?)

Moçambique vai pertencer ao povo moçambicano quando este puder tirar proveito dos seus recursos, isto é:

quando o povo for maior consumidor da madeira nacional que os chineses;

Quando o povo for maior explorador do carvão mineral que os brasileiros e australianos;

Quando o povo sentir-se dono do seu próprio gás natural;

Quando o povo não tiver que passar por atritos com estrangeiros na extracção das arreias pesadas;

Quando…;

Quando…;

Quando…;

Esta terra só vai pertencer ao povo quando este, pelo menos, não tiver que comprar, a difícil dinheiro, sacrifício e humilhação, os terrenos para habitações…

Oh, despertai!

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1 Comentário

Filed under Juventude

One response to “O silêncio assassino do povo

  1. Quando o povo sentir os seus direitos respeitados e valorizados…

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