Complexo Académico em transformação

O Complexo Académico está, desde finais do ano 2014, a conduzir a sua transformação de um movimento informal para uma organização licenciada a actuar sem fins lucrativos com foco em pesquisas, campanhas, sapiências, palestras, seminários, aconselhamentos, seminários e premiações.

No processo de legalização do Complexo Académico como uma associação, além de Francisco Joaquim Pedro Chuquela que é o Fundador do Movimento, assinam como membros co-fundadores Lucas Alberto Zandamela de 28 anos de idade, Regina Paulo Sitoe de 25 anos de idade, Gerson Joaquim Cossa de 26 anos de idade, Alberto Joaquim Chuquela de 31 anos de idade, Celso Moisés Simbine de 31 anos de idade, Inocêncio Albino Titos Sicuaio de 30 anos de idade, Reinaldo Luís Nhalivilo de 22 anos de idade, Flórida Luís Jeje de 23 anos de idade e Dércio Boaz Machaieie de 28 anos de idade.

O Complexo académico espera recrutar o maior número possível de membros que devem ser estudantes de níveis médio e superior que queiram desenvolver Moçambique, África e o mundo a nível holístico.

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“Mais do que erguer mil estátuas homenagear Samora é perpetuar seus ideais”

O que fez de Samora um líder carismático e influente?

Texto integral de palestra do dia 22 de Outubro de 2013 no Centro Cultural Americano, por Francisco J. P. Chuquela:

foto-19Antes de irmos ao que preparamos integralmente, uma vez que estamos ainda no mês da paz, esta que é claramente perturbada pelas nossas principais formações políticas, vamos recordar o que Samora, o pai da nação moçambicana, disse em entrevista concedida a Joaquim Letria em 1975 nas áreas libertadas de Cabo Delgado. Passo a citar Samora: “Não corrigimos ideias erradas com o cano de uma arma”.

Vamos a questão de cartaz. O que fez de Samra um líder carismático e influente?

Samora foi o líder que foi porque andava junto do povo, por isso ao empossar novos membros do governo a 3 de Junho de 1983 na praça da independência disse “O povo quer seu dirigente junto dele” e ao empossar novos servidores do povo em 1975 disse: “Desligados das massas populares seremos árvores sem raízes”.

foto-20Além do mais, os sonhos de Samora eram constituídos por coisas concretas que o povo defende, como prova disso é importante citá-lo a dizer em entrevista com a imprensa internacional que “O povo não defende coisas abstratas, defende coisas concretas, a terra é uma coisa concreta, a habitação é uma coisa concreta, a escola é uma coisa concreta, o hospital é uma coisa concreta”.

Samora Machel conseguia animar o povo em momentos difíceis e mantinha viva a esperança mesmo diante dos destroços de guerra, prova disso são expressões energéticas como a que exprimiu em Tunduro em 1975. Passo a citar: “No lugar onde caiu uma bomba deve nascer escola ou fábrica”.

Samora não se limitava em criar esperança no povo, mas procurava corresponder a esta mesma esperança, por isso na carta que enviou ao chefe político-militar de Manica e Sofala em 1974 escreveu: “Saibamos corresponder à esperança que o povo deposita em nós”.

Samora Machel estava ciente de que o silêncio das armas não completava a paz e sabia que a defesa dos interesses do povo e a afirmação dos seus direitos são elementos essenciais, por isso disse na Assembleia Geral das Nações Unidas de 1977 que: “Na afirmação dos direitos dos povos encontra-se o caminho da paz”.

O fundador da nossa república sabia que o triunfo na luta armada não era o fim da luta e apregoava a continuação da luta contra novos inimigos do povo, desta vez não humanos, por isso dizia: “A luta continua contra o tribalismo, contra a ignorância, contra o analfabetismo, contra a exploração do homem pelo homem, contra a superstição, contra a miséria, contra a fome, contra o pé descalço… A luta continua para que sejamos todos homens iguais”.

Respondendo a segunda faceta da questão de fundo, de Samora ter sido um líder não só carismático mas também influente, é de se concluir que a voz de Samora ultrapassava fronteiras nacionais, agitava o continente africano e o mundo. Isso porque este pai da nação moçambicana não lutava só pelos moçambicanos, mas sim por todos povos oprimidos no mundo, razão pela qual, em resposta ao discurso de Julius Nyerere, em 1975, comprometeu-se em Dar-es-Salaam dizendo: “Apoiar toda a luta justa dos povos oprimidos”. Ainda em defesa dos povos oprimidos no mundo disse em 1975 em Lichinga que: “Não há continentes para certas raças; os continentes estão para os homens”.

Sabendo que o povo é o dono do poder, Samora Machel definiu a forma mais viável de estabelecer o poder popular, a educação, por isso disse: “Fazer da escola uma base para o povo tomar poder”. Sabia Samora que o país devia apostar na educação, pelo que disse: “Não pode haver país forte com o analfabetismo”. Além de que olhava para educação como instrumento de renovação do homem, o que lhe fez dizer que: “A escola é a vossa entrada para o mundo novo” e que “De vocês e da educação surgirá o homem novo”.

Para elucidar a preocupação de Samora Machel com o povo e para terminar, passo a ler 20 das muitas frases deste fundador da nossa república que tenham a palavra povo. Atenção:

a) educação

– Estudemos e façamos dos nossos conhecimentos um instrumento de libertação do povo: Samora Machel em 1977*

– Fazer da escola uma base para o povo tomar poder: Samora Machel em 1974 *

b) saúde

– No trabalho sanitário materializemos o princípio que a revolução liberta o povo: Samora Machel em 1973*

– Transformar o Hospital Central num hospital do povo: Samora Machel em 1976 *

c) segurança

– O inimigo é o que quer viver à custa do sangue do povo: Samora Machel em 1977*

– Povo vê nas Forças Populares o seu próprio braço armado: Samora Machel em 1975*

– O povo decidirá sobre destino dos bandidos: Samora Machel em 1983*

d) democracia

– Aprendamos a servir o povo: Samra Machel na abertura do curso político em 1974*

– Queremos fazer do povo dirigente real: Samora Machel em 1975*

– A solução para cada problema deve ser encontrada no meio do povo: Samora Machel em 1977*

– Saudamos a grandeza da humildade de quem aprendeu com o povo: Samora

– É o povo quem define a soberania e a independência de um estado: Samora

– A terra pertence ao povo: Samora Machel em 1975*

e) mulher

– A mulher é o ponto mais alto da destinação de um povo: Samora Machel em 1979*

f) desenvolvimento

– O nosso país será o que for a determinação do nosso povo: Samora Machel em 1978*

– Organizemos os nossos recursos para resolver os problemas do povo: Samora Machel em 1979*

– O povo não defende coisas abstratas, defende coisas concretas, a terra é uma coisa concreta, a habitação é uma coisa concreta, a escola é uma coisa concreta, o hospital é uma coisa concreta: Samora Machel*

g) unidade

– Contra a determinação de um povo não há arma que se imponha: Samora Machel em 1976*

h) liberdade

– Na afirmação dos direitos dos povos encontra-se o caminho da paz: Samora Machel*

i) heroísmo

– Herói é quem dedica a vida ao serviço do povo: Samora Machel em 1986*

– O tamanho de um povo mede-se pela sua determinação: Samora Machel em 1976*

– Saibamos corresponder à esperança que o povo deposita em nós: Samora Machel 1973*

– Nós recuperamos a terra… que esteve mantida durante 500 anos nas mãos de minoria… devolvemos a terra ao povo: Samora Machel

foto-126Lembre-se: esta palestra vem depois de uma acirrada campanha de divulgação de ideais de Samora Machel nas redes sociais, iniciada a 29 de Setembro de 2013 quando recordávamos o nascimento deste herói e terminada a 19 de Outubro, data em que nos lembramos do seu assassinato. Foram postadas no Twitter, Facebook e Google+ nas contas do Complexo Académico e do seu fundador, Francisco Chuquela, cerca de 100 frases do pensamento samoriano que evidenciam que Samora preocupava-se com o povo. Para ver as referidas frases visite a conta Twitter @Complacad ou @chuquela.

foto-127Nota: A palestra foi seguida por um debate com o tema “Mais do que erguer mil estátuas homenagear Samora é perpetuar seus ideais“, em que o Francisco Chuquela começou em forma de provocação dizendo que “… onde a corrupção é moda estátua de Samora deixa de ser homenagem para ser ofensa… é que onde se contraria ideais da pessoa em estátua essa estátua é uma ofensa…”

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Lançada composição de cem posts de pensamento samoriano

0O Complexo Académico arranca, no dia 29 de Setembro, data de nascimento de Samora Machel, a publicação nas redes sociais, de frases do saudoso pai da nação moçambicana. A publicação será diária e vai avançar até 19 de Outubro, data em que se recorda o assassinato do carismático herói.

O intuito é de atingir 100 posts de expressões energéticas que evidenciam que Samora Machel defendia os interesses do povo. Esses posts serão categorizados em pensamentos samorianos sobre: a) educação, b) saúde, c) segurança, entre outros sectores que merecem referência olhando pela actualidade do país.

Serão também categorias de destaque pensamentos samorianos sobre: a) cidadania, b) moçambicanidade, c) patriotismo e outros valores que Samora defendia de forma acérrima. Uma das tónicas dominantes será a relevância da sua intervenção quando esteve de visita na casa branca, nos EUA.

1Os pensamentos de Samora Machel, na luz desta campanha, serão reproduzidos em posts na conta do Twitter do Complexo Académico – @complacad – e retuitados fielmente, em forma de reforço, pela conta @chuquela, além de que serão postados nas contas de Facebook e Google+ do fundador do Complexo Académico, Francisco Chuquela.

A campanha em alusão irá terminar com uma palestra sob lema “O que fez de Samora um líder carismático e influente” a ter lugar o Centro Cultural Americano na semana de 21 a 25 de Outubro de 2013.

Lembre-se que Samora Moisés Machel foi um líder revolucionário que liderou a guerra da Independência e foi o primeiro presidente do Moçambique independente, de 1975 a 1986. Machel nasceu a 29 de Setembro de 1933 em Chilembene na província de Gaza e foi *assassinado a 19 de Outubro de 1986 nos montes Libombos em Mbuzini quando regressava a Maputo vindo duma reunião internacional em Lusaka. Se Samora Machel estivesse vivo faria 80 anos de idade no dia 29 de Setembro de 2013.

Actualmente, o Complexo Académico, um espaço de incidência, interacção e actuação na vida social, económica, política e cultural de Moçambique, usa o seu blog https://complexoacademico.wordpress.com/ e a sua conta do Twitter @Complacad para disseminar conteúdos sobre cidadania em Moçambique.

* Inclinação pessoal, uma vez que a morte de Samora continua um mistério a oscilar entre acidente casual e sinistro propositado

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Servir o povo é dever, não favor, do governo

Por: Francisco J. P. Chuquela

A maioria dos 22 milhões de moçambicanos, enfraquecida pela fraca educação e falta de informação, pensa que os serviços públicos são fruto de “bom coração dos governantes”. Essa errada percepção de que o governo está a prestar favores ao povo através de hospitais, escolas… faz com que esta maioria dos moçambicanos não exija esses serviços quando não são dados ou quando são dados com péssima qualidade.

O governo esconde ao povo que os serviços públicos constituem direito do cidadão. Isso sim, pois se não escondesse haveria sensibilização acerca. Recursos de informação e sensibilização não faltam. Sublinhe-se. É que o partido no poder consegue atingir e comunicar-se com o povo, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico quando se trata de campanha de eleições, mas já não consegue fazer o mesmo pela divulgação de direitos do cidadão.

A Educação, que o saudoso presidente Samora quis que fosse instrumento para o povo tomar poder é, hoje, instrumento do governo para o povo perder poder. Afinal, o que somos de dizer sobre um sistema educacional em que se chega à décima segunda classe sem perspectivas do futuro? E mais, sem habilidades para escrever o mais curto parágrafo possível livre de gravíssimos erros ortográficos?

Os direitos dos moçambicanos são drenados, pelo governo, para estrangeiros. Prova disso é a concessão de hectares e hectares de terra a investidores estrangeiros e quase nenhum centímetro a nacionais.

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Governo moçambicano contra vida dos camponeses

Por: Francisco J. p. Chuquela

A terra, que foi sempre fonte de sobre(vivência) dos moçambicanos, vê-se em clara transição para ser unicamente fonte de largas centenas de milhões de dólares para estrangeiros. Não é preciso duas frases para justificar esta posição, pois a maioria das terras férteis dos camponeses é usurpada a favor de megaprojectos de investimentos estrangeiros.

Ora, nesta senda dos factos, os camponeses perdem a sua única fonte de sobrevivência e rendimento, a terra, em troca de promessas nunca cumpridas. Quem dá a chave deste cofre natural dos moçambicanos, a terra, a estranhos é quem devia defendé-los através da lei, o governo. Afinal, de onde vem a concessão de terras a estrangeiros?

No entanto, com este tipo de comportamento governamental, temos mais do que suficientes razões para olharmos mal, até certo ponto, ao recentemente lançado Plano Nacional de Investimento do Sector Agrário (PNISA). Ora, neste PNISA, quem vai investir? Se for o estrangeiro o que vai querer em troca? E qual será a vantagem dos 22 milhões de moçambicanos cujos impostos são suficientes para investir no dito PNISA sem se recorrer ao bolso do estrangeiro?

Indo a casos concretos, o que ganharam em troca os camponeses que foram evacuados dos seus lugares de produção agrícola para implantação da Vale? Só promessas. Ora, aquele tipo de reassentamento é comparado com transferência de ovelhas de um lugar verdejante para um lugar desértico. E os que foram evacuados a favor da Wambao Agrilcuture, o que ganharam em troca? Só poeira de negação aos mais fundamentais direitos comunitários.

O governo moçambicano (partido Frelimo) passa a vida a pregar o combate à pobreza, mas, meia-volta, prejudica visivelmente a melhoria da renda familiar. Quanta hipocrisia!

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Moçambicanos, povo de história elaborada, não investigada

Por: Francisco J. P. Chuquela

Moçambique tem por governo um partido que carrega a honraria (pálida de tempos em tempos) de ter libertado o país do jugo colonial. E tem por maior oposição um partido que carrega a desonra de ter retrocedido o país com 16 anos de guerra. Aclarando: o partido no poder foi um movimento de luta contra o colonialismo e o de oposição foi um movimento rebelde. Aprofundando: o movimento libertador teve, depois de expulsar o colono, que enfrentar o movimento rebelde.

Hoje, ambos movimentos estão fora das matas e têm as armas arrumadas (embora levantadas de quando em vez) em nome da paz e se tornaram partidos que, de quatro em quatro anos, disputam o poder no país.

O problema que se coloca é que esses movimentos/partidos fazedores dos últimos episódios da nossa história não contam com clareza e unanimidade os acontecimentos e suas causas. Uma história limpa seria contada em conjunto e entendimento pelos seus fazedores. E, no fim, todos assinariam em baixo.

A história deste país parece ser elaborada, não investigada. Isso por não ser contada de forma combinada e concordante. Esta situação leva a concluir que o povo moçambicano não tem história. Numa história elaborada, o heroísmo não é resultado de obras, mas de escolha. Aí, até ladrões e assassinos do povo podem ser levados a estatuto de heróis. Isso enquanto os verdadeiros heróis partilham lixo com cães nas ruas.

Chega a ser vergonhoso porque, socialmente, um grupo atinge os estatutos de comunidade e/ou sociedade quando tem geograficidade, historicidade e interesses comuns. Dos três requisitos, Moçambique só tem geograficidade e a localização geográfica é simplesmente oferta da mãe natureza. Vejamos que nem interesses comuns Moçambique tem, senão não viveríamos sob constantes ameaças de guerra como indica a nossa realidade.

Prova da falsidade da “dita” história de Moçambique é o facto de haver perguntas sem respostas. As ditas perguntas quentes: Quem matou o arquitecto da unidade nacional, Eduardo Mondlane? Quem matou o presidente Samora? Quem matou o jornalista investigativo Carlos Cardoso?

No país temos sacos de livros inúteis sobre a nossa história. Respondam a estas três perguntas pelo menos, só assim estarão a contar a nossa história. Estamos cansados de bibliotecas profundamente vazias em termos de história nacional.

Muito papel inútil é lixo, e nada mais.

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Camaradas traem camaradas e perde-se a camaradagem

Por: Francisco Joaquim P. Chuquela

O Estado moçambicano é chefiado por um veterano da luta armada de libertação do país do jugo colonialista e, o seu governo é maioritariamente, se não completamente, constituído por militantes da mesma luta e da guerra dos dezasseis anos.

Durante os anos de guerra, eram milhares e milhares de militantes a jurarem entregar a vida em troca de um país livre da brutalidade, mas no fim da luta, foram arquitectados dois grupos: o dos heróis ou veteranos de luta, donos de privilégios e detentores do poder e, o dos desmobilizados de guerra ou antigos combatentes.

É que, depois dos conflitos armados, quando foram recolhidos e arrumados os instrumentos de guerra, foi também arrumado, à maneira de descartar, um número sem fim de militantes, alguns com deficiências física e psicológica, lavradas no combate pela pátria.

Na luta, com as armas a descarregarem o peso nos rostos de todos, chamavam-se de camaradas e eram unidos, segundo reza a história, pois lutavam pela mesma causa e defendiam os mesmos interesses, mas hoje há, por exemplo, um Alberto Chipande no topo e um Jossias Matsena ou Hermínio dos Santos nas cinzas.

Os desmobilizados de guerra, que antes eram perseguidores dos inimigos do país, hoje são espezinhados e perseguidos pelos antigos camaradas. Exemplo disso é a marginalização, pelas elites governamentais, e a violência, pelas autoridades policiais, aos desmobilizados de guerra, na vez de reivindicarem aquilo que julgam serem os seus direitos.

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